terça-feira, janeiro 30, 2007

Cola para Lambe-lambe (Grude)

Ingredientes:
7 colheres de sopa de farinha de trigo
1 litro d'água
2 colheres de sopa de vinagre
1 garrafa plástica de 2 litros (refrigerante) com tampa

Como preparar:
Pegue 3/4 da água (750ml) e coloque para ferver numa panela grande. Misture as 7 colheres de trigo na água restante em outra panela e vá mexendo até o trigo se disolver totalmente. Nessa parte é importante mexer bem para não ficar "pelotinhas" que podem vir a entupir o orifício por onde a colar vai sair. Assim que a água ferver jogue o trigo dissolvido e vá mexendo (não parede mexer). Mexa por cinco minutos aproximadamente, até o caldo começar a engrossar. Depois adicione as 2 colheres de vinagre (que evita o apodrecimento) e mexa por mais 2 minutos. Deixe a cola esfriar um pouco (não muito senão ela seca hehe) e utilizando um funil derrame ela na garrafa de refri e guarde na geladeira. Não tire ela da geladeira, a não ser quando você for usar. Dica: Faça um orifício na tampinha da garrafa para derramar a cola e ficar mais prático.Obs: Essa cola demora um pouco para secar.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Antônio Delfin Netto:


"Somos todos marxistas

MARC BLOCH, o grande historiador, disse a um amigo pouco antes de ser fuzilado pelos nazistas em junho de 1944: "Eu também sou marxista, mas não tenho nenhuma necessidade de dizê-lo; sou marxista como sou cartesiano". Este é o ponto. Hoje (62 anos depois de Bloch), somos todos "marxistas", exatamente como somos cartesianos, como somos humeanos, como somos espinosianos, como somos kantianos, como somos weberianos, como somos neoliberais, como somos keynesianos, como somos freudianos, como somos einsteinianos, como fingimos saber do que trata a física dos quanta e assim por diante... Para qualquer animal inteligente, Marx continua necessário, ainda que não seja suficiente. Os dois gigantes que o habitavam, o teórico e o revolucionário, foram pouco a pouco tomando distância entre si. O pensamento do velho Karl é uma máquina diabólica: seqüestra o leitor que não encontra saída fácil. Precisa de muito esforço para livrar-se das suas engrenagens lógicas e não o faz sem levar marcas indeléveis. De sua obra teórica ficaram sólidos resíduos, incorporados definitivamente à consciência da humanidade, mas que vão perdendo a sua identidade ao submergirem no que se supõe ser o estoque das "verdades" que conhecemos. O seu "socialismo científico", ao contrário, empalidecerá cada vez mais. As tentativas de implementá-lo (justificadas ou não pelas condições materiais) terminaram, invariavelmente, em enormes desastres econômicos e sociais. O grande potencial da hipótese do materialismo histórico acabou aprisionando numa órbita em torno de Marx quase todos os construtores da sociologia (Weber, Durkheim e Pareto). Estes tentaram fugir à força de atração de Mefisto negociando com ele. E como se pode entender de outra forma a obra de Aron, de Mannhein, de Wright Mills ou de Schumpeter? A obra de Marx só não conheceu ainda a mais completa absorção pela corrente do pensamento universal porque, falsificada, transformou-se numa espécie de religião oficial do império soviético. Em lugar de uma sociedade sem classes e livre, construíram um mundo fantástico de opressão e de obscurantismo, como só intelectuais são capazes de fazer. A "Igreja" matriz faliu. Seus altos sacerdotes, que, no Brasil, faziam "charme" com a carteirinha escondida do Partidão, perderam o encanto: são agora pobres "social-democratas"! Portanto, ainda que alguns lamentem, hoje todos podemos ser marxistas "sem medo de ser feliz"... "

quarta-feira, outubro 25, 2006

Tomei de carteirada, no álbum do Raphão

"...Hoje em dia os “mocinhos” estudam ainda em livros as custas do sacrifício dos explorados, se exercitam em periódicos e criam “novas tendências”. Mas quando uma revolta se produz seriamente, em seguida, descobrem que a arte se encontra nas cabanas, nos buracos mais recônditos, onde fazem ninho os cupins. É preciso derrubar a burguesia porque é ela quem fecha o caminho a cultura. A nova arte não só desnudará a vida, mas lhe arrancará a Pele. Amar a vida com o afeto superficial do deleitante, não é muito mérito. Amar a vida com os olhos abertos, com um sentido crítico cabal, sem adornos, tal como nos aparece, com o que oferece, essa é a proeza. A proeza também é realizar um apaixonado esforço por sacudir aqueles que estão entorpecidos pela rotina, obrigar-lhes a abrir os olhos e fazer-lhes ver o que se aproxima". - Leon Trotsky

segunda-feira, outubro 16, 2006

Carta Maior entrevista: Ricardo Antunes

Fica claro como o marxismo acadêmico sempre beira uma posição conseqüente em relação a atividade política e a correlação de forças na luta-de-classes, porém só beira. Diferente dos Chicos de Oliveira da vida Ricardo Antunes mostra uma posição mais consciente sobre o PT que a grande maioria que os marxistas acadêmicos, mas vemos que em nenhum momento durante a entrevista a palavra revolução sai da boca deste homem. Ricardo Antunes vem de uma tradição lukacsista de José Chasin que nunca conseguiu romper efetivamente com o stalinismo. Houve sim ruptura política, porém nunca houve uma ruptura a respeito dos balanços sobre a URSS, e inclusive principistas com o stalinismo. Um teórico acadêmico que não rompe com os princípios do principal mentor intelectual do stalinismo, que é György Lukács, necessariamente não rompeu em princípios com o stalinismo. Em nenhum momento Ricardo Antunes, "um dos maiores especialistas brasileiros no estudo das mudanças no mundo do trabalho", usou seu tempo de exposição na mídia para falar sobre a independência dos trabalhadores em relação a estes partidos burocráticos e governistas; nunca denunciou o posicionamento direitista da própria Heloísa Helena, mas muito pelo contrário declarou voto na candidata!; nunca falou sobre a importância de propagandear e vincular as lutas e enfrentamentos que o proletariado vive hoje em Oaxaca no México com o proletariado brasileiro, e nem mesmo mencionou as lutas dos mineiros em Huanuni na Bolívia, quando veio a mencionar o governo masista de Evo Morales. Estes professores e professoras cumprem um papel necessário nas universidades brasileiras ao levarem o marxismo para os estudantes, fazendo parcialmente frente contra o ensino disciplinar e doutrinário burguês que hoje vigora e sempre irá vigorar na academia, mas eles pagam um preço brutal ao se desvincularem da ação política, perdem a consciência classista, e se levam à capitulação. A intelectualidade não orgânica não serve para nada a não ser fortalecer os quadros do "pensamento imparcial", do pensamento à serviço da mercadoria, do Estado e consequentemente da burguesia.

http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=12522

sociedade disciplinar

"Um desordeiro não pode pedir para que a burocracia coopere com sua radicalização."

- Prof. Edson Passetti, coordenador do Núcleo de Sociabilidade Libertária, ao ser requisitado por um aluno grevista que não seguisse com o protocolo de registrar faltas ao insistir em ministrar aulas durante a greve da PUC de 2006.

música poética, vida musicada

"Acordei bemol
Tudo estava sustenido
Sol fazia
Só não fazia sentido"

- Paulo Leminski

quinta-feira, outubro 12, 2006

Não existe teleologia em Marx

"É bastante conhecida a distinção marxiana entre a abelha e o arquiteto. Pela capacidade de prévia ideação, o arquiteto pode imprimir ao objeto a forma que melhor lhe aprouver, algo que é teleologicamente concebido e que é uma impossibilidade para a abelha."

- Ricardo Antunes, em seu livro Os Sentidos do Trabalho.

Não existe teleologia em Marx, isso é uma invenção do pró-stalinista György Lukács. Teleologia é um artifício de pensamento próprio da metafísica, Marx destrói a metafísica implementando a dialética materialista em seu pensamento. Isso que diferencia, a principio, brutalmente Marx de todos os idealistas alemães de sua época. A mente humana não altera a natureza ou infere sobre a realidade de forma determinada e ideada como a teleologia pressupõe, mas sim de forma interconexa com o mundo, de maneira dialética. Hegel, Schelling, Kant e Fitche separam o homem da natureza, remetando à metafísica e à teleologia consecutivamente o pensar humano, porém, já Marx desmistifica tal coisa definindo que o homem é parte da natureza e em constante troca com ela, no pensar e no agir. Sendo assim, o pensamento humano nunca pode ser ideado previamente e executado posteriormente, mas só pode ser compreendido em uma interconexão processual constante, onde apenas a dialética pode se aproximar desta dinâmica para explicá-la. Lukács além de tirar a dialética de Marx ao afirmar que o trabalho é teleologico, o aproxima dos idealistas alemães.

Senado Estadounidense Legaliza a Tortura

"Os falcões de Washington comandados por Bush, em acordo com setores do Partido Democrata, aprovaram uma nova lei que significa o aprofundamento da sua política assassina e repressora, que os povos de todo mundo e, sobretudo do Oriente Médio, já vem sentindo na pele. O cinismo dos neoconservadores não tem limites. Em nome de seguir com a “guerra contra o terror”, como chamam sua política assassina desferida contra todos aqueles que se chocam com seus interesses, o Senado norte-americano aprovou por 65 votos contra 34, e 253 contra 168 no Congresso, um pacote de medidas que conferem ao presidente Bush poderes inéditos na história dos EUA, constituindo um avanço das tendências bonapartistas de seu governo. Trata-se da continuidade da política de ataque às liberdades civis, condensadas no Patriotic Act em âmbito interno.

O caráter reacionário do pacote de leis em questão transcende os limites territoriais dos EUA, já que confere ao presidente norte-americano e seus representantes poder de declarar qualquer pessoa de qualquer nacionalidade como “combatente inimigo ilegal”, tratando-se de uma grande ameaça aos imigrantes ilegais. Dessa maneira, a lei aprovada por Bush legaliza a detenção de uma pessoa por tempo indefinido e sem julgamento, suspende o direito de pedir hábeas corpus, legitima a utilização de provas obtidas através de coerção, e tornam legais práticas como a privação do sono por períodos prolongados ou a exposição dos interrogados a baixas temperaturas.
Além disso, permite sob o nome de “técnicas de interrogação” a prática de “simulação” de afogamento como formas de obter “informações úteis ao combate ao terrorismo”. No ápice do cinismo, os mentores da lei advertem que tais práticas podem ser executadas desde que “não resultem em danos psicológicos ou físicos permanentes”. Neste sentido, trata-se da legalização das práticas utilizadas em Abu Gharib e em Guantánamo."

- Por Simone Ishibashi

quarta-feira, outubro 11, 2006

"História de Vida": Uma incursão em MTP II

"Ao fazer minha tese, constatei entrevistando as pessoas que os moradores da periferia paulista vem das regiões Norte e Nordeste do Brasil para a região Sudeste por uma questão de uma fantasia criada a respeito das metrópoles. As vêzes o homem sai das suas terras de agricultura de subsistência no nordeste porque sua filha quer ir ao cinema, quer poder fazer compras, não é mera questão de qualidade de vida, de questão de emprego ou salarial, é uma fantasia. Esse pensamento classista monolítico que encara as questões humanas apenas como empregatícias são características de um preconceito da classe-média, que anda pensa que o trabalho dignifica o homem."

- Profa. Mônica de Carvalho, em uma de suas aulas de Metodo e Técnicas de Pesquisa II, na sala de segundo ano de Ciências Sociais hoje.

acutcho

Quando estou longe
Quero ficar perto
Quando estou perto
Quero ficar dentro
Quando estou dentro
Quero ficar mudo
Quando estou mudo
Quero dizer tudo

O Ornitorrinco fordista

"Ato - 06/10 às 19h no Auditório 239. Os estudantes da PUC/USP/Mackenzie convocam a comunidade universitária para ato a realizar-se no auditório 239, da Faculdade de Direito da PUC-SP, nesta 6a feira (06/10), às 19:00 hrs (pontualmente), com as seguintes presenças confirmadas:
Marilena Chauí – USP
Senador Eduardo Suplicy
Profº Gilberto Bercovici - Direito USP
Profº Alysson Mascaro - Direito Mackenzie
Deputado Federal Paulo Teixeira
Deputado Federal Arlindo Chinaglia
Profº Luís Gonzaga Belluzzo - Economia Unicamp
Márcio Thomaz Bastos (a confirmar) – Ministro da Justiça


Na ocasião, as personalidades convidadas discutirão o segundo turno das eleições presidenciais. COMPAREÇA!"
-
Uma tragédia para o Movimento Estudantil na PUC ter permitido que tal festa dos burocratas epígonos da esquerdalha nacional-desenvolvimentista PTista acontecesse, sendo que quem estava organizando e balizando o evento era a fraca e errante juventude do PT e a UJS do PCdoB. Muita polêmica envolve o debate científico sobre a origem e reprodução dos burocratas. Tem pessoas que acreditam que são uma espécie de ornitorrinco, um treco meio mamífero, meio pato que tem asa e mão de topeira ao mesmo tempo. Definição um pouco confusa.















Tem outras pessoas que acreditam que os burocratas saem de ovos, chocados normalmente por uma frigideira. Bem, eu não sei que engenhoca a UJS e a Juventude do PT tem dentro de suas organizações que conseguem formar tantos burocratas em tão pouco tempo... Acho que introduziram o fordismo entre os aspirantes. Numa coisa eles são fantásticos: Arremessar compulsivamente militantes cascas-de-ferida nas universidades em vespera de eleições e tomar as representações estudantis, DCE's CA's etc. Lá na PUC esse ano entrou um monte que nunca ninguém ouviu falar. Ano passado quando eu era calouro tinha um cara que entrou lá, simpático, e saiu no ano seguinte, e depois fui descobrir que era o presidente da UJS. Esse ano eles se multiplicaram como praga, entraram pelas janelas arestas e telhado, onde tinha curso algum marmanjo governista estava infiltrado. Nas assembléias estudantis enquanto a PUC conjuntamente com a Fundação São Paulo e os bancos Bradesco e Real demitiam professores e funcionários em massa da universidade, os recrutas da burocracia estatal defendiam e faziam voz pela intervenção do BNDES para saldar as dívidas da PUC. Ou seja: A instituição do vaticano ligada ao mercado financeiro demite mais de mil trabalhadores, corta salários até pela metade, terceiriza seus serviços e os epígonos da burocracia colocam como saída em nome do governo tão progressista do PT que o BNDES presenteie a incompetência administrativa da instituição e seu ataque sumário aos trabalhadores com 80 milhões de reais... Não tem política mais conseqüente pra um burocrata mirin. Outro acerto substancial desses militantes governistas foi terem entrado com a divulgação dessa palhaçada no auditório da PUC apenas um dia antes dele acontecer (05/10 - Quinta-feira). Não tem como um governo que se manteve durante todo os quatro anos de mandato nas alturas do palácio com receio da opinião pública e temeroso pelos ataques que impuseram aos trabalhadores que um dia disseram defender fazer uma palestra no meio da campanha presidencial dentro de uma das universidades onde o movimento estudantil foi mais combativo na historia recente do Brasil com peças como aquele "libertário" do Arlindo Chinaglia; o reformista pró keynesiano do Luís Gonzaga Belluzo; o caquético e eternamente chapado Eduardo Suplicy; a socialyte frankenstein da Marta Suplicy e a Marilena Chauí, aquela pós-moderna, sem que uma massa voraz de estudantes esquarteje-os. O pessoal do PT e da UJS sabia disso e sensatamente (infelizmente) só propagandearam em ultima hora, impedindo qualquer organização (e até mesmo conhecimento) da maioria dos estudantes a respeito do que estava havendo. O governo Lula vencerá as eleições, e ao implementar a reforma trabalhista e previdenciária sua máscara vai cair de uma vez em relação às camadas sociais mais baixas da população.

domingo, outubro 08, 2006

Aos fukuyamas, à nulidade de ação e aos entusiastas.


Esta aqui é Paris em 1871, ocupada pelos seus trabalhadores construindo a primeira organização operária da história. Foto de uma barricada com nove membros da milícia operária de Paris em vigília. Bakunin, Engels, Proudhon, Marx e vários outros estavam lá. Para isso, a emergente classe de trabalhadores assalariados da França necessitou passar por provas históricas de força em dois momentos: fevereiro de 1848, e dezembro de 1852, para que em 1871 a experiência econômica e maturidade política proporcionasse a eclosão de uma revolução construída durante um século de experiência capitalista fabril propriamente dita. O exército tricolor de Versalles guiado pelo exército alemão prussiano massacrou a população parisiense naquele mesmo ano.

Esta aqui é uma foto dos operários russos armando uma das barricadas no Soviet de Petrogrado entre 1917-18, soviets estes que se constituíram como organização paralela ao regime czarista durante a primeira revolução russa, de 1905. Para ser possível Trotsky e outros revolucionários presidirem estes soviets durante a revolução de 1917 foi necessário anos de refluxo e de muita experiência política acumulada pelos trabalhadores desde 1905. Só assim foi possível que este tipo de organização social se sustentasse e resistisse à repressão dos exércitos que na época invadiam o território russo.

No final do ano de 1934, os trabalhadores da cidade espanhola de Astúrias depõem o governo local e colocam na ordem do dia a auto-organização operária. A Comuna de Astúrias foi o exemplo inicial do extenso processo que viria a se desenrolar na Espanha dos anos trinta, sendo ela apenas uma gota no extenso mar de cidades sob controle operário como esta mostrada nesta foto ao lado, durante a Revolução Espanhola. A organização operária na Espanha se deu da forma mais heterogênea do que em qualquer revolução até então, a Confederación Nacional del Trabajo (CNT), a Federación Anarquista Ibérica (FAI) formavam a ala anarquista enquanto diversas organizações socialistas faziam do Partido Operário Unificado Marxista (POUM) um grande amálgama de tendências. Em 1939 o exército marroquino fascista do general Franco acaba por destruir a última organização de resistência operária em Barcelona, massacrando o povo catalão.
Estes exemplos são talvez os maiores, porém pouco dos que eu posso colocar aqui da resistência ao autoritarismo que repreende a liberdade da arte, do amor, da preguiça, da loucura, da vontade, que rouba nosso tempo e que nos impede de ser nós mesmos, de ser mulher e homem, de ser negro, verde, magenta, cinza, amarelo e azul-marinho... Autoritarismo este que os nossos camaradas mexicanos repelem hoje em Oaxaca com suas milícias operárias e barricas em prontidão. A partir do momento que alguém se movimenta que a verdadeira face do sistema burguês velhaco se mostra, sendo o caráter velhaco desta sociedade o empurrão que traz as necessidades de nós mesmos à emergência, fomentando nosso movimento. Por mais que muitos digam que o comunismo é coisa do passado, que a classe operária não existe, que o capitalismo não é mais o mesmo, e que a Modernidade é uma velha decrépita em um caixão observada pelo relativismo em seu velório, os trabalhadores de Oaxaca nos provam outra vez o que no passado foi já provado.
A Comuna de Oaxaca não irá colocar uma data de validade no comunismo, nem mesmo no capitalismo, mas sim no reacionarismo escondido, no conformismo acadêmico, no comodismo pequeno-burguês, no pós-modernismo opaco de engenheiros do ego, dos amantes da metafísica transvertida, dos porta-vozes da liberdade em si mesma. O Fim da História não existe, e por mais que fukuyamas, hegels, mencheviques, burocratas, anarquistas e pseudo-marxistas com crise de meia-idade teimem em afirmar, os operários da Comuna de Oaxaca desmontam os entusiastas que vêem em seu tempo um tempo único, ou que vêem o tempo como uma particularidade. O futuro é incerto (como sempre foi), e para a população de Oaxaca não poderia ser diferente. É claro que o otimismo cego não nos ajuda, e que o combate político tem que sair da luta governista e passar para uma luta revolucionária na Assembléia Popular, e que talvez sem armar de fato toda a população, a Comuna de Oaxaca possa desaparecer. Hoje os trabalhadores empilham utensílios supérfluos, erguem paredes nas ruas, sobrepõem sacas de areia e até posicionam caminhões de transporte de empresas estrangeiras e nacionais nas vias de acesso da capital do Estado de Oaxaca para impedir que o exército federal do Estado do México invada a cidade liberta. Desde setembro helicópteros militares passeiam pelo alto da cidade em busca de alvos em potencial. As forças militares e a polícia civil cerca a cidade por terra e mar, podendo cair até soldados dos ares no caso de uma cada vez mais preparada invasão. Se a população de Oaxaca irá resistir à repressão não se sabe, mas a pergunta que não cala é: Passa o México por um processo revolucionário sendo Oaxaca o princípio de uma longa jornada na luta de classes?